41 é um número como outro qualquer. Ou não, pois 41 é a idade que hoje faço. 41, é um acumular de recordações que fazem a minha vida
E lembro-me sempre de tanta coisa nestes dias.
Lembro-me de quando dancei foclore na primária com um colega que rodava quase com os pés no ar agarrado ao meu braço; lembro-me muitas vezes da minha primeira professora de piano, que foi uma pessoa extraordinária e que me marcou (ela e o seu cão mini); lembro-me de quando fui ao jardim zoológico e não era nada do que é hoje em dia; lembro-me dos passeios de final de ano, a Évora e principalmente no final do 9º ano, a São Tiago de Compostela; lembro-me de subir ao monte de terra e cantar bem alto as músicas das Doce, com a minha companheira e amiga; lembro-me do primeiro dinheiro que ganhei. Era miúda e foi a cantar (não, não canto bem, mas fui no grupo e ganhei);lembro-me de ir visitar a minha mãe ao hospital e do seu roupão vermelho; lembro-me de ter atirado a soca ao ar, partido o vidro do refeitório e de o meu pai ter de ir à escola; lembro-me dos ralhetes que levava com tanta tropelia que fazia na escola - coitado do meu pai, passava a vida a ser chamado!-; lembro-me da primeira volta de mota que dei, à pendura e às escondidas; lembro-me de me fechar na despensa com a minha amiga e devorar-mos a caixa das bombocas sem que ninguém desse por ela (achávamos nós); lembro-me das obras em casa dos meus pais e termos cozinhar na sala; lembro-me do meu primeiro beijo; lembro-me do dia em que comecei a namorar com o meu namorado "à séria"; lembro-me de quando me casei; lembro-me de cada momento ao ter as minhas filhas; lembro-me das viagens que fiz; lembro-me das vezes que ria sem razão nenhuma; lembro-me dos falsos amigos que por mim passaram, marcaram e foram; lembro-me, lembro-me, lembro-me. Lembro-me de tanta coisa. Umas boas, outras menos boas e outras más.
Mas lembro-me. E não me quero esquecer. Pois cada lembrança destas fizeram parte de mim e construíram a minha vida ao longo destes 41 anos.
E quero-me lembrar cada vez de mais coisas, boas e más. As más não se esquecem, podem apenas ficar guardadas, adormecidas. As boas fazem-nos andar para a frente e ter sempre um sorriso para dar.
E diz, quem me conhece, que sou uma pessoa alegre. E lembro-me muito disso quando estou menos contente.
Quando olho ao espelho, vejo 41 anos de vida. Rugas de expressão que tem cada uma um significado. Rugas que fazem a minha expressão, aquela que dou com todo o carinho a quem comigo caminha, ama e nunca me abandonou.
E hoje, dizerem-me "estás tão gira" faz-me sentir que cada ruga e cada lembrança valeram e valem a pena.
A vida é composta por lembranças. E nestes 41 anos tenho tantas que me deixam completa.
Adoro viver com cada um que comigo está.
Muito obrigada à vida.